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As autoridades curdas na Síria anunciaram nesta quinta-feira a conclusão de um acordo com Bagdade sobre o repatriamento de 31.000 iraquianos que vivem nos campos de refugiados no nordeste sírio, que acolheram recentemente famílias de jiadistas. O acordo surge na sequência da derrota do grupo extremista Daesh no mês passado após um confronto em Bagouz, o último reduto desta organização na Síria, que provocou o êxodo de dezenas de milhares de jiadistas e civis para campos de refugiados construídos pelas autoridades curdas.

"Uma delegação do governo iraquiano visitou a zona semiautónoma curda para discutir o retorno de refugiados iraquianos, que são cerca de 31 mil", referiu o responsável pelos campos de refugiados, Mahmoud Kero, em declarações à agência AFP. Até à data, "quatro mil pessoas foram já inscritas e aguardamos agora que o governo iraquiano abra a fronteira para dar início às transferências", referiu o responsável.

Dado o número considerável de pessoas deslocadas, os responsáveis iraquianos já alertaram que as transferências irão demorar algum tempo por razões de segurança e dificuldades de realojamento. Os refugiados são essencialmente "mulheres e crianças" originários das províncias de Ninive e de Salaheddine, dois territórios situados a norte de Bagdade, e que são na sua maioria sunitas e defenderam anteriormente o EI, revelou um responsável iraquiano à AFP.

Entre eles estão "várias crianças órfãs, idosos, pessoas com deficiências e grávidas", referiu um membro humanitário à AFP, acrescentando que "a sua transferência representa um desafio, particularmente em termos de saúde e de proteção".

Mahmoud Kero afirmou que existem também vários homens entre os refugiados, "acusados de pertencerem ao [grupo jiadista] Estado Islâmico", acrescentando que o Iraque deve "julgá-los no seu solo", assim como os tribunais iraquianos julgam quase diariamente cidadãos estrangeiros que se juntaram ao EI, um crime que poderá levar à condenação à pena capital.

As autoridades iraquianas colocaram em prática "medidas de identificação de segurança" devido aos "sinais de que certas famílias estariam ligadas ao EI", explicou o Ministério Refugiados iraquiano, Ali Abbas, em declarações à agência AFP. "Não podemos permitir que eles se difundam de novo na sociedade", afirmou.

Entre os 31 mil iraquianos que alegadamente irão retornar ao país, muitos não têm documentos de identidade, particularmente as crianças nascidas na Síria, indicou Ali Abbas, apelando para que Bagdade "encontre uma solução".

Os campos de refugiados na Síria, especialmente o de Al-Hawl, albergam milhares de famílias que vivem em condições rudimentares, segundo a Organização das Nações Unidas e várias organizações não-governamentais. Num território bastante fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 370 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

Com informações de Expresso

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