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Será que Jesus foi realmente abandonado por Deus naquele momento tão difícil?

“E houve trevas sobre toda a terra, do meio dia às três horas da tarde. Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que significa: Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?” (Mateus 27.45-46)

Em algumas versões diz: Por que me desamparaste? Será que Jesus foi realmente abandonado por Deus naquele momento tão difícil?

Na cruz, todos os pecados da humanidade estavam sobre Jesus, e sabemos que Ele morreu em nosso lugar. Ali naquela cruz Ele enfrentou o juízo divino. Logo, a sensação de abandono representava a separação entre o ser humano e Deus.

Mas Jesus não estava ali apenas expressando seus sentimentos, Ele estava cumprindo sua missão. Suas palavras são as mesmas do Salmo 22, que é conhecido como o “Salmo da cruz”, escrito por Davi por volta de 993 a.C.. O salmo davídico apresenta conexões com a experiência de Jesus na cruz.

O teólogo Luiz Sayão explica que os textos dos Salmos 22 e 69 são aplicados “messianicamente”, apresentando paralelos entre uma queixa individual de Davi, feita a Deus quando ele estava sendo perseguido pelos seus inimigos e o sofrimento de Jesus na cruz, como forma de profecia.

Sayão diz que os textos do passado foram escritos sem que o autor soubesse que estava escrevendo algo que ia além do sentido original do que ele estava vivendo. Muitos estudiosos chamam esse fato de “sensus plenior”.

Essa expressão vem do latim e quer dizer “sentido mais pleno” ou ainda “um sentido mais profundo do texto”. Quer dizer que a intenção de Deus aparece no texto, além do que disse o autor humano. Vamos analisar alguns trechos do Salmo 22:“Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio!” (Salmos 22.1-2)

“Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo. Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte. Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés. Posso contar todos os meus ossos, mas eles me encaram com desprezo. Dividiram as minhas roupas entre si, e tiraram sortes pelas minhas vestes. Tu, porém, Senhor, não fiques distante! Ó minha força, vem logo em meu socorro!” (Salmos 22.14-19)O Salmo apresenta detalhes importantes sobre o sofrimento de Cristo e foi escrito praticamente mil anos antes de seu nascimento.

Perceba que no mesmo Salmo, Davi diz que Deus não menosprezou o seu sofrimento:

“Louvem-no, vocês que temem o Senhor! Glorifiquem-no, todos vocês, descendentes de Jacó! Tremam diante dele, todos vocês, descendentes de Israel! Pois não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro.”(Salmos 22.23-24)

E o Salmo 22 tem um desfecho vitorioso:“Todos os confins da terra se lembrarão e se voltarão para o Senhor, e todas as famílias das nações se prostrarão diante dele, pois do Senhor é o reino; ele governa as nações.” (Salmos 22.27-28)

Ao dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Jesus estava recitando só um pedacinho do Salmo 22, que apresenta um texto profético. Então, Jesus estava mostrando que a profecia estava se cumprindo Nele. Perceba que o Salmo é finalizado com uma grande promessa:

“A posteridade o servirá; gerações futuras ouvirão falar do Senhor, e a um povo que ainda não nasceu proclamarão seus feitos de justiça, pois ele agiu poderosamente.” (Salmos 22.30–31)

Veja que interessante, nós somos esse povo e essa palavra serve para cada um de nós. Para finalizar, veja aqui alguns textos relacionados:“Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido.” (Isaías 53.4)

“Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão.” (Isaías 53.10)

Então, a resposta sobre essa dúvida é que Jesus estava citando as Escrituras, como costumava fazer quando alguma profecia era cumprida Nele.

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Por Cris Beloni

Jornalista e pesquisadora apaixonada pela Bíblia. Desenvolveu um trabalho de "Jornalismo Investigativo Bíblico", é autora dos livros Derrubando Mitos e Apocalipse Investigado. Seus temas envolvem missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análises de textos bíblicos.

 

Fonte: Gospel Prime